Trânsito
Eduardo Bolsonaro associa cratera do Metrô à contratação de mulheres por concessionária
O deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, associou a cratera do metrô de São Paulo à contratação de mulheres pela concessionária responsável pela obra. A empresa repudiou o infeliz posicionamento.
A empresa Acciona, responsável pelas obras do metrô de São Paulo, analisa tomar medidas judiciais contra o vídeo de Eduardo Bolsonaro que, em mais um ato insano de fala desconexa com a realidade, relacionou o acidente na Marginal Tietê com a contratação de mulheres. Empresa defende a contratação de mulheres.
Não é novidade que a família política de Bolsonaro está sempre em foco pelas falas absurdas e, muitas vezes, destituídas de qualquer conexão com a realidade, mostrando-se muito machistas e preconceituosas.
Eduardo Bolsonaro, acerca do acidente nas obras do metrô de São Paulo divulgou em uma de suas redes sociais o infeliz comentário: ““Procuro sempre contratar mulheres”, mas por qual motivo? Homem é pior engenheiro? Quando a meritocracia dá espaço para uma ideologia sem comprovação científica o resultado não costuma ser o melhor. Escolha sempre o melhor profissional, independente da sua cor, sexo, etnia e etc”.”
A fala dá um ar de soberania e defesa de todos, mas o olhar atento percebe o quanto está carregado de preconceito, marca que tem se mostrado como registrada de Bolsonaro.
A empresa Acciona integra a concessionária responsável pelas obras da linha 6 Laranja do metrô da cidade de São Paulo. Após a fala de Bolsonaro, divulgou uma nota de repúdio a um vídeo que relaciona o acidente que aconteceu na terça feira (1) com a política da empresa de contratação de mulheres.
Eduardo Bolsonaro compartilhou o vídeo com a comparação nas suas redes sociais com declarações carregadas de misoginia e machismo.
O filho do presidente da República postou no Twitter o vídeo em que relacionou a cratera provocada pelo tatuzão nas obras do metrô de São Paulo, na Marginal Tietê, com uma entrevista dada por Stefania Riciulli, que coordena a comunicação da Acciona, defendendo a contratação de mulheres na empresa.
A empresa divulgou uma nota de repúdio afirmando que o vídeo é misógino e machista:
“A ACCIONA, como uma empresa que tem o respeito à diversidade como um dos pilares de sua política de ESG, lamenta profundamente o teor dessa videomensagem que circula em redes sociais. A empresa considera o conteúdo misógino e extremamente desrespeitoso com nossas colaboradoras”, afirmou.
“A ACCIONA tem programas especiais de estímulo à contratação de mulheres, inclusive na área de construção, e se orgulha dos seus profissionais. A empresa estuda as medidas judiciais cabíveis ao caso.”
O Instituto de Engenharia também divulgou uma nota de repúdio à colocação de Eduardo Bolsonaro “que desmoraliza colaboradoras de empresa que atua nas obras da Linha-6 Laranja do Metrô”, classificando o vídeo como “desserviço à sociedade”.
“O Instituto de Engenharia, entidade que há 105 anos congrega o bom exercício da profissão pelo Brasil, manifesta o total repúdio sobre o vídeo que desmoraliza mulheres que trabalham na Acciona, empresa responsável pela obra da Linha 6 do Metrô.
É inadmissível que esse tipo de mensagem seja compartilhada por qualquer pessoa. É um desserviço à sociedade, à evolução e um verdadeiro DESRESPEITO e DISCRIMINAÇÃO às profissionais envolvidas, quer engenheiras ou não.
O Instituto de Engenharia, por meio de seu Comitê para Valorização das Mulheres na Engenharia e Tecnologia, pede por respeito. Esse é o ingrediente essencial na construção de um futuro melhor em qualquer esfera da sociedade.”.
Eduardo Bolsonaro não explica porque, no cenário brasileiro em que por muito séculos houve a dominação por homens, o nível da corrupção é tão grande, o que joga por terra sua teoria de que mulheres não são tão competentes como os homens, já que o cenário caótico brasileiro tem, na maioria esmagadora das vezes, homens à frente do comando.