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MERCADO FINANCEIRO

Rentabilidade do IBOVESPA

Indicadores de uma ação

Rentabilidade da renda fixa x rentabilidade da poupança

Mudança  no retorno das aplicações financeiras sem risco


 1. Rentabilidade  do IBOVESPA

A tabela 1  apresenta a rentabilidade nominal (sem descontar a inflação) e a rentabilidade real (descontada a inflação) do IBOVESPA desde 1968.

Para cálculo da rentabilidade real foi utilizado o índice de preços ao consumidor do município de São Paulo que é calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).

Tabela 1- rentabilidade do IBOVESPA

ANO IBOVESPA IPC IBOVESPA ANO IBOVESPA IPC IBOVESPA ANO IBOVESPA IPC IBOVESPA
  NOMINAL FIPE REAL    NOMINAL FIPE REAL    NOMINAL FIPE REAL 
  % % %   % % %   % % %
1968 107,7 25,2 65,9 1988 2.549,50 891,7 167,2 2008     - 41,20 6,1 -44,6
1969 164,7 22,6 115,9 1989 1.762,50 1636,6 7,2 2009  82,70  3,6 76,3
1970 54,7 17,5 31,7 1990 308,3 1639,1 -76,5 2010   1,04     6,4     - 5,04
1971 113 20,6 76,6 1991 2.316,00 458,6 332,5 2011  -18,11    5,81 -22,6
1972 -44,4 17,5 -52,7 1992 1.015,70 1129,4 -9,3 2012  7,4  1,56  2,2
1973 4,8 14 -8 1993 5.437,20 2491 113,7 2013  -15,5  3,89  -18,7
1974 36,6 33,1 2,7 1994 1.059,70 941,3 11,4 2014 (*)  3,22  3,05  0,2
1975 34,8 29,3 4,3 1995 -1,3 23,2 -19,8        
1976 24 38,1 -10,2 1996 63,8 10 48,8        
1977 41 41,1 -0,1 1997 44,8 4,8 38,2        
1978 4,5 39,9 -25,3 1998 -33,5 -1,8 -32,2        
1979 56,6 67,2 -6,3 1999 151,9 8,6 131,9        
1980 44,2 84,8 -22 2000 -10,7 4,4 -14,5        
1981 113,8 90,9 12 2001 -11 7,1 -16,9        
1982 63,9 94,6 -15,8 2002 -17 9,9 -24,5        
1983 759,2 164,1 225,3 2003 97,3 8,2 82,4        
1984 441,6 178,6 94,4 2004 17,8 6,6 10,6        
1985 401,5 228,2 52,8 2005 27,7 4,5 22,2        
1986 41,3 68,1 -16 2006 32,9 2,5 29,6        
1987 34,9 367,1 -71,1 2007 43,6 4,4 37,6        

TAXA REAL MÉDIA AO ANO EM  46,5 ANOS: 10,3 % 

(*) - 2014: até o mês de junho.

Fontes: BMF&Bovespa e FIPE.

2. Indicadores de uma ação

Os principais indicadores utilizados para avaliar uma ação são os seguintes:

a) Lucro por ação - é o quociente da divisão do lucro líquido da companhia num determinado período pelo numero de ações. Assim, uma companhia com   dois  bilhões de ações e um lucro anual de R$ 1,2  bilhões  tem um lucro por ação igual a:

  R$ 1.200.000.000,00 ÷ 2.000.000.000 = R$ 0,60.

 Índice relacionado:

 Índice preço-lucro - é a relação entre o preço da ação e o seu lucro por ação. Teoricamente, representa o número de anos em que se daria o retorno do capital investido, caso a totalidade do lucro fosse distribuída aos acionistas e o valor do lucro se mantivesse constante em termos reais.

 Por exemplo, uma companhia com um lucro por ação igual a R$ 0,60 tem suas ações cotadas a R$ 12,00. Seu índice preço-lucro será:

 R$ 12,00 ÷ R$ 0,60 = 20

 Esse parâmetro indica teoricamente que os R$ 12,00 investidos em cada ação retornariam num prazo de 20 anos.

 b) Valor patrimonial da ação - é o quociente da divisão do valor do patrimônio líquido da companhia pelo número de ações que forma o seu capital.

 Significa quanto caberia a cada ação, se do total dos bens e valores a receber pela companhia deduzíssemos as suas dívidas.

 Assim, se uma companhia tem dois  bilhões de ações e um patrimônio líquido de R$ 6 bilhões, o valor patrimonial das ações seria:

 6.000.000.000,00 ÷ 2.000.000.000,00 = R$ 3,00

 Índice relacionado:

 Relação preço-valor patrimonial - é o quociente da divisão do preço da ação por seu valor patrimonial. Esse parâmetro indica quantas vezes o mercado está pagando pelo valor patrimonial da ação.

 Se o preço de uma ação é R$ 12,00 e seu valor patrimonial é R$ 3,00, então a relação preço-valor patrimonial será:

 R$ 12,00 ÷ R$ 3,00 = 4

 c) Dividendo por ação – corresponde ao resultado da divisão entre o valor dos dividendos distribuídos num certo período e o número de ações que a eles fizeram jus.

 Se houver diferenciação na distribuição dos dividendos pelas espécies ou classes de ações da companhia, haverá um índice de dividendo por ação para cada espécie ou classe de ações.

 Uma companhia com 2  bilhões de ações, distribui R$ 600 milhões  em dividendos. O  dividendo por ação será:

 R$ 600.000.000,00 ÷ 2.000.000.000,00 = 0,30

 Índice relacionado:

 Dividend Yield - é a relação entre o dividendo de uma ação e seu preço.

 Supondo que o preço da ação seja R$ 12,00 e que ela pague um dividendo de R$ 0,30, seu dividend yeld será:

 R$ 0,30 ÷ R$ 12,00 = 0,025 ou 2,5%.

 Os quadros seguintes resumem os dados utilizados e parâmetros calculados.

Dados:

Número de ações                     2.000.000.000
Patrimônio líquido R$ 6.000.000.000,00
Lucro líquido R$ 1.200.000.000,00
Valor total dos dividendos R$ 600.000.000,00
Preço da ação R$ 12,00

Indicadores calculados:

Lucro por ação                                   0,60
Índice preço-lucro                                   20,00
Valor patrimonial da ação  R$ 3,00
Relação preço- valor patrimonial                                        4
Dividendo por ação  R$ 0,30
Dividend Yield  2,50%

 3. Rentabilidade da renda fixa x rentabilidade da poupança

 A tabela 2 permite comparar a rentabilidade anual das aplicações financeiras de renda fixa atreladas à taxa SELIC (ou taxa CDI que é praticamente aproximadamente igual à taxa SELIC), sem considerar uma  eventual taxa de administração,  com a rentabilidade anual da poupança, quando a taxa quando a SELIC for igual ou menor que 8,5% ao ano. Para esse patamar de taxa SELIC,  a remuneração da poupança será igual a 70% da taxa SELIC. Para fins de comparação são consideradas as  quatro faixas de tributação (15%, 17,5%, 20% e 22,5%) das aplicações financeiras.

Uma vez que a maior faixa de tributação é 22,5%, a taxa SELIC líquida mínima será  77,5%  da SELIC (100% menos 22,5%) e, portanto maior do que a rentabilidade poupança (70% da SELIC).

Considerando a mais alta de juros,  8,5%, e a menor alíquota de imposto de renda (15%), a aplicação financeira atrelada à SELIC sé renderá mais que a poupança caso a taxa de administração seja menor que 1,28%. (célula em vermelho)

                   Tabela 2 - rentabilidade anual da renda fixa x rentabilidade anual da poupança

    IR 15% IR 17,5% IR 20% IR 22,5%
 MESES   ACIMA DE 24 12 A 24 6 A 12 ATÉ 6
           
TAXA SELIC/CDI 8,50%        
RENTABILIDADE LÍQUIDA SELIC/CDI   7,23% 7,01% 6,80% 6,59%
RENTABILIDADE DA POUPANÇA   5,95% 5,95% 5,95% 5,95%
DIFERENÇA A FAVOR SELIC/CDI   1,28% 1,06% 0,85% 0,64%
           
TAXA SELIC/CDI 8,00%        
RENTABILIDADE LÍQUIDA SELIC/CDI   6,80% 6,60% 6,40% 6,20%
RENTABILIDADE DA POUPANÇA   5,60% 5,60% 5,60% 5,60%
DIFERENÇA A FAVOR SELIC/CDI   1,20% 1,00% 0,80% 0,60%
           
TAXA SELIC/CDI 7,50%        
RENTABILIDADE LÍQUIDA SELIC/CDI   6,38% 6,19% 6,00% 5,81%
RENTABILIDADE DA POUPANÇA   5,25% 5,25% 5,25% 5,25%
DIFERENÇA A FAVOR SELIC/CDI   1,13% 0,94% 0,75% 0,56%
           
TAXA SELIC/CDI 7,00%        
RENTABILIDADE LÍQUIDA SELIC/CDI   5,95% 5,78% 5,60% 5,43%
RENTABILIDADE DA POUPANÇA   4,90% 4,90% 4,90% 4,90%
DIFERENÇA A FAVOR SELIC/CDI   1,05% 0,88% 0,70% 0,53%
           
TAXA SELIC/CDI 6,50%        
RENTABILIDADE LÍQUIDA SELIC/CDI   5,53% 5,36% 5,20% 5,04%
RENTABILIDADE DA POUPANÇA   4,55% 4,55% 4,55% 4,55%
DIFERENÇA A FAVOR SELIC/CDI   0,98% 0,81% 0,65% 0,49%
           
TAXA SELIC/CDI 6,00%        
RENTABILIDADE LÍQUIDA SELIC/CDI   5,10% 4,95% 4,80% 4,65%
RENTABILIDADE DA POUPANÇA   4,20% 4,20% 4,20% 4,20%
DIFERENÇA A FAVOR SELIC/CDI   0,90% 0,75% 0,60% 0,45%
           
 

4. Mudança  no retorno das aplicações financeiras sem risco

A SELIC -  taxa de juros básica  da economia brasileira - situou-se em patamares bastante  elevados nos últimos quinze anos,  apesar de ser  uma taxa de juros que remunera aplicações financeiras sem risco.

Mais presente no dia a dia da maioria dos aplicadores, a taxa CDI acompanha a taxa SELIC com insignificantes diferenças de valor. Assim, tanto a taxa  SELIC como a taxa CDI proporcionaram  retornos espetaculares aos aplicadores no período considerado.

A expressividade dos percentuais acumulados pelas  duas taxas pode ser vista sob dois aspectos. Primeiro, confrontando-as com  o padrão internacional de taxas de juros semelhantes -  estas  são sistematicamente bem menores que as brasileiras.  Segundo, quando se considera o retorno médio de longo prazo esperado para as aplicações financeiras de risco (mercado de ações).  

Deve ser lembrado que a taxa de juros básica dos países desenvolvidos tem oscilado entre 0,5 e 6% ao ano. Por outro lado, o  retorno da BOVESPA desde sua criação em 1968 até dezembro de 2011, sem considerar o imposto de renda,  foi de aproximadamente 12% ao ano, descontada a inflação.

 O quadro I apresenta o retorno das aplicações financeiras sem risco atreladas à SELIC ou CDI, entre janeiro de 1997 e dezembro de 2011.

Quadro I – retorno das aplicações financeiras sem risco

Período:  01/01/1997 A 31/12/2011

IPCA acumulado no período: 149,7%

Taxas de juros

CDI

SELIC

POUPANÇA

 

 

 

 

% acumulado antes do IR (*)

988,8%

1003,4%

287,7%

% acumulado após IR de 15%

840,4%

852,9%

287,7%

% acumulado após IR de 15% e inflação

276,7%

281,6%

55,3%

% anual médio após IR de 15%  e inflação

9,2%

9,3%

3,0%

 (*) - Fonte: Banco Central

Os dados apresentados no quadro I mostram  que no período de quinze anos, entre janeiro de 1997 e dezembro de 2011, o retorno médio anual das aplicações financeiras atreladas ao CDI foi de 9,2% ao ano (após o imposto de renda e após a inflação). Para as aplicações atreladas à SELIC, a taxa de retorno foi de 9,3% ao ano. Nas mesmas bases,  a poupança apresentou uma taxa de retorno anual de 3%. No caso da poupança, os depósitos são corrigidos pela SELIC e recebem juros de 6%. No período em questão, (1997 a 2011) a TR  acumulou  aproximadamente metade da inflação medida pelo IPCA, o que explica o retorno médio anual da poupança de 3% após a inflação.

A taxa de juros de 9,2% ao ano - após o imposto de renda e inflação – é um percentual  elevado tendo em vista as referências antes mencionadas. A título de ilustração, considere-se que a maioria dos planos de previdência no Brasil, tanto abertos como fechados, têm uma meta de retorno  de 6% ao ano. Assim, se tivessem feito nos últimos quinze anos  apenas aplicações financeiras sem risco atreladas à SELIC ou ao CDI, estariam alcançando com sobra sua meta de retorno.

Entretanto, os números aqui mostrados fazem parte da história e não mais se repetirão. Ao contrário, o retorno real líquido (após o imposto de renda e inflação)  das aplicações financeiras sem risco serão bem menores, aproximando-se dos padrões internacionais a partir do ano de 2012.

Supondo-se uma aplicação financeira com uma  taxa de juros de 7% ao ano, uma alíquota de imposto de renda de 15% e uma inflação anual de 4,5%,  produzirá uma taxa real líquida de 1,4% ao ano.

Evidentemente, esses números mostram uma mudança dramática na rentabilidade das aplicações financeiras sem risco, com profundas implicações nos planos de previdência.

Considerando a meta de retorno  de 6% ao ano e um retorno médio esperado de 15% ao ano para as aplicações financeiras de risco – ações principalmente – uma carteira de investimentos precisaria ter pelo menos um terço (34%) de ações para poder alcançar a meta de retorno.

A análise aqui apresentada não inclui eventuais custos de administração ou de intermediação das aplicações financeiras, o que tornaria ainda menor o retorno apresentado. No período de altas taxas de juros, esses custos também teriam reduzido os ganhos apresentados, mas com um impacto bem menor.

Quanto à poupança, a nova regra de remuneração introduzida para os depósitos  a partir de maio de 2012, trouxe também uma mudança muito significativa. Essa forma de aplicação deixa definitivamente de ser indexada, ainda que  (um) por um parâmetro imperfeito como é a  TR.  A partir de agora, para que a poupança ganhe da inflação (será necessário que a SELIC supere a taxa de inflação em mais 42,8%, condição que obviamente pode não se verificar.

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